Valentine’s Day

 

Mais um Valentine’s day chegou e cá estou eu, sozinha, mas não solteira. Chega a ser gozado, tem um ditado que diz o contrário. Felizmente aqui no Brasil a coisa não fica tão feia, comemoramos o dia dos namorados dia 12 de junho e não dia 14 de fevereiro, mas já acostumei a comemorar as duas datas. O que de fato é pior! Afinal, se estiver namorando, presente duas vezes; se eu estiver namorando a distancia, sofro duas vezes; e se eu estiver solteira, choramingo duas vezes. Pois é. Não fujo da culpa de ser dramática e não vou mudar meu temperamento pra agradar ninguém, sou a drama queen e ponto. Mas estou mudando de assunto. A questão é: mais um dia dos namorados que passo assim, melancólica. Desta vez, nada. Nem tive tempo de mandar um presentinho para o meu namorado virtual, aposto que ele também não me mandou nada, então consciência tranquila. Se bem que se somos namorados virtuais, nossos deveres como namorados, são meramente virtuais. Seguindo este raciocínio, deveríamos dar presentes virtuais, portanto vou pensar em um interessante. O mais bizarro é que meu amor não se limita ao virtual. Antes se limitasse. Antes eu pudesse restringi-lo, criar uma linha metafísica entre realidade e virtualidade. Delinear até onde o amor poderia ir…e depois de certo ponto, quando a saudade doesse, o ciúme perturbasse, a insegurança dormisse do seu lado e principalmente o medo de não ser correspondida aparecesse, o amor sumisse, junto com todos seus amiguinhos. Mas um relacionamento virtual é muito mais do que falar no skype. É pensar no outro antes de dormir, e quando acorda também. É ver um lugar bonito e pensar: ” Quero apresentar esse lugar pra ele.” É ver uma roupa no shopping e comprar mesmo sem saber quando você vai ve-lo pessoalmente usando. É ligar do celular, mandar msgs, e pagar contas muito caras todos os meses. É ter dívidas no banco com o empréstimo que você fez pra comprar aquela passagem super fora do seu orçamento, só pra ver a pessoa que você ama. É abdicar de cursos, pra pagar sua viagem. É adiar sonhos, pra realizar o sonho momentâneo de viver ao lado do amado. É planejar o futuro dos dois, juntos. É pensar que sem ele, sua vida perde a graça. É pensar na felicidade e imaginar o amado. É colocar os planos em prática e finalmente, começar uma vida não tão longe assim. É chorar sozinha, de saudade. É pensar que se você for mulher, provavelmente tudo que eu falei só parte de você, e não adianta você cobrar isso dele. É pensar que isso é muito injusto. É chegar a conclusão que a melhor coisa que você tem a fazer é terminar e parar de gastar, de sofrer, de se enganar, de se iludir… etc.. etc.. É ter certeza que esquecer ele é o melhor pra você. É tentar não ligar, tentar viver normalmente, tentar esquecer, tentar, tentar e tentar até cansar. É finalmente, saber que apesar de todas as dificuldades e das suas conclusões precipitadas, o amor é maior do que todas as suas vontades, e se vocês se amam, por mais que tentem, não vão terminar e a distância não vai apagar o que existe entre vocês. Quem namora a distância, nao o faz porque quer, mas sim, porque o amor é mais forte do que suas próprias vontades.